Pela primeira vez, neutrinos foram usados para enviar mensagem através do chão

Neutrinos são partículas extremamente pequenas, com massa quase zero e, como você poderia imaginar, carga neutra.

Sendo assim, eles são imunes às forças eletromagnéticas e respondem muito pouco à gravidade. Eles quase nunca colidem com outras partículas, geralmente passando através dos átomos que compõem a matéria.

Essas características são muito interessantes. Como essas partículas podem facilmente viajar através da matéria, mesmo um planeta, sem parar, diminuir de velocidade ou perder direção, os pesquisadores buscam uma forma de explorar sua capacidade de comunicação.

Agora, pela primeira vez, eles conseguiram usar neutrinos para enviar uma mensagem através do solo, soletrando a palavra “neutrino” em um código binário (de 1 e 0) de partículas.

Os feixes de neutrino normalmente vêm em pulsos, um a cada 2,2 segundos. Para fazer um “1”, os cientistas deixaram o feixe de neutrinos enviar seu sinal normalmente para o detector. Para fazer um “0”, eles pararam o feixe, fazendo-o perder um pulso. Assim, foram capazes de soletrar “neutrino” de uma forma que poderia ser lida por outros cientistas.

Para enviar essa mensagem, os pesquisadores utilizaram um acelerador de partículas do Laboratório Fermi, que fica em Illinois, EUA, para criar feixes de neutrinos. Essas partículas resultam da colisão em alta velocidade de prótons em uma parede de átomos de carbono.

Em seguida, eles enviaram este raio de neutrinos em direção a um detector de neutrinos, o Minerva, a cerca de um quilômetro dali, enterrado em uma caverna.

Detectando neutrinos

Como neutrinos raramente interagem com outras partículas, são extremamente difíceis de detectar. O Minerva contém camadas de diferentes materiais e, à medida que os neutrinos passam por elas, ocasionalmente, colidem com o núcleo de algum átomo, criando outras partículas que são visíveis para o detector.

Como já dissemos, a probabilidade de um neutrino colidir em algo é muito pequena. “Mas se você tem uma massa suficientemente grande no detector, isso irá ocorrer com boa frequência para obter um sinal. Um em cada 10 bilhões de neutrinos cria um evento de colisão”, disse o líder do estudo, Dan Stancil, engenheiro elétrico da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Aplicações

A técnica poderia ser útil um dia em situações onde métodos normais de comunicações não funcionam. Por exemplo, em um submarino em profundidade. “A água do mar tem condutividade elétrica, e, como resultado, ondas de rádio não penetram muito profundamente. Ter alguma forma de receber mensagens no fundo do mar seria interessante”, diz Stancil.

As moléculas na água em torno de um submarino poderiam servir bem como um detector de neutrinos. Como a criação de neutrinos hoje exige um poderoso acelerador de partículas, eles seriam capazes apenas de receber mensagens, não enviá-las.

Um dispositivo de comunicação como esse também poderia ser útil em caso de uma catástrofe que destruísse a infraestrutura existente.

No entanto, esse tipo de comunicação ainda está longe de ser prática. Além do sistema ser complexo e exigir aceleradores de partículas, que são caros, a intensidade do sinal de neutrinos diminui com a distância.

Ficção científica ou possibilidade real?

Ano passado, uma equipe do laboratório de física CERN, em Genebra, na Suíça, disse que os neutrinos viajaram mais rápido que a luz. A descoberta controversa desmentiria uma das teorias mais bem sucedidas da física, a teoria geral da relatividade de Einstein, que afirma que nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz.

Se (e apenas se) isso for verdade, objetos que podem quebrar este limite de velocidade cósmica poderiam também viajar para trás no tempo. Ou seja, os neutrinos podem ser viajantes do tempo.

Isso significa que um sistema de comunicações de neutrinos poderia enviar mensagens para o passado ou futuro.

No entanto, a maioria dos especialistas acha que os resultados do CERN foram uma anomalia causada por um erro de análise. Então, melhor não ter muitas esperanças.

Fonte: http://hypescience.com/

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