Em busca de vida inteligente. Fora da Terra.

Notícia enviada por Sérgio Murilo, integrante do Grupo Alpha

16 de agosto de 2010

por Ethevaldo Siqueira – comentarista da rádio CBN

Existirá vida fora da Terra? Será que num universo com centenas de bilhões de galáxias, só a Terra — este maravilhoso e minúsculo planeta azul — teria o privilégio de abrigar seres vivos e humanos supostamente inteligentes?
Tão sério que deu origem a dois campos de pesquisas fascinantes: a Astrobiologia e o Projeto SETI (do inglês Search for Extra-Terrestrial Intelligence), ainda em desenvolvimento pela NASA, a agência espacial americana, em conjunto com uma dúzia de universidades há exatamente 50 anos.

Aliás, acompanhei no sábado passado a celebração desses 50 anos, feita na Convenção do Projeto SETI e recolhi as notícias sobre o jantar oferecido ao astrônomo Frank Drake, o idealizador do projeto, que também completava 80 anos de idade, no dia 14 de agosto. Foi em 1960 que Drake, então astrônomo na Universidade de Cornell, decidiu montar a pesquisa dos sinais vindos do espaço e que, supostamente, estão sendo enviados para nós, de fora do Sistema Solar.

Drake apontou para o céu um radiotelescópio do Observatório Nacional de Radioastronomia, localizado em Green Bank, Virgínia Ocidental. E ali observou um total de 150 horas durante meses os sinais que poderiam vir da direção das estrelas Tau Ceti e Epsilon Eridani, as mais semelhantes ao nosso Sol e que, assim, poderiam ter maior possibilidade de abrigar planetas com alguma forma de vida inteligente.

Falemos primeiro do SETI. Além da NASA e de algumas universidades, participam desse projeto diversos governos e empresas privadas, que nele já investiram centenas de milhões de dólares em radiotelescópios, como o de Arecibo, em Porto Rico, o maior do mundo e cuja antena parabólica tem 305 metros de diâmetro.

Alô, extraterrestres

O primeiro e mais famoso sinal supostamente inteligente foi recebido por Jerry Ehman, pesquisador voluntário, num projeto da Universidade do Estado de Ohio, na noite de 15 de agosto de 1977. Ao analisar os dados registrados na impressora, o cientista notou a chegada de um forte sinal recebido pelo telescópio. Imediatamente, destacou-o com um círculo e escreveu à margem a interjeição: “wow!” (uau). O sinal se repetiu apenas uma vez, mas passou a ser considerado o mais forte indício de uma fonte artificial, extraterrestre e, talvez, inteligente, de sinais de rádio.

Outro fato curioso foi a mensagem transmitida do observatório de Arecibo para o universo, em 1974, na inauguração da ampliação de seu radiotelescópio. Era um código de 1.679 bits enviado em direção ao Aglomerado Globular M13, situado a 25 mil anos-luz de nós. A mensagem gráfica tentava dizer quem somos, com desenhos esquemáticos do Sistema Solar, da Terra, de uma figura humana, de fórmulas químicas e do próprio radiotelescópio.

Como estamos nessa busca, em resumo? Temos de reconhecer, caro leitor, que a ciência ainda não conseguiu provas incontestáveis ou consistentes da existência de ETs. Isso não desanima os cientistas. Eles creem que, num futuro próximo ou distante, a humanidade irá contatar seus vizinhos da galáxia. Até porque os pesquisadores contam com um verdadeiro arsenal de tecnologias digitais e telescópios para viabilizar a comunicação com outros seres inteligentes. Com essas armas, a ciência já vasculha os confins do universo, fotografa buracos negros, mede campos magnéticos, identifica outros sistemas solares e testemunha explosões de supernovas ocorridas há bilhões de anos.

Carl Sagan tinha paixão pela busca de inteligência extraterrestre. Um de seus muitos (e maravilhosos) livros tem o título de Murmúrios da Terra (edição brasileira da Editora Francisco Alves), e relata as pesquisas para a seleção dos registros enviados ao espaço no interior das sondas Voyager 1 e 2, em 1977. Cada uma delas levava notícias da Terra, saudações em 54 línguas, mensagem especial das Nações Unidas, 118 imagens (fotos e ilustrações), sons gravados de trovão, cantos de pássaros e de baleias e muita música. Tudo isso, na doce esperança de que um dia, daqui a bilhões de anos, seres estranhos de outras galáxias recolham e decifrem nossa identidade.

O espetáculo do céu

Ainda garoto, aprendi a curtir o espetáculo do céu noturno, numa pequena fazenda de café, em Aparecida de Monte Alto, onde nasci, no interior de São Paulo. Aos 9 anos, recebia de minha mãe as primeiras lições de astronomia. Leitora entusiasta de Camille Flamarion, astrônomo francês e visionário do Cosmos, minha mãe apagava as luzes da casa e convidava os filhos para contemplar, ao ar livre, o céu salpicado de milhões de estrelas, nas noites de verão, sem nuvens, nem luar. Nas madrugadas de agosto, assistíamos, mudos de emoção, ao espetáculo da chuva de estrelas cadentes, das Perseidas, como as da semana passada.

Na juventude, descobri Júlio Verne, H. G. Wells, Isaac Asimov e o incrível Arthur C. Clarke. Bem mais tarde, tive o privilégio de conhecer e entrevistar Carl Sagan, um dos maiores astrônomos do século 20, entusiasta da busca de vida inteligente no Universo. Hoje, visito diariamente o site http://www.space.com e me divirto com o Starry Night (Noite Estrelada), livro de John Mosley, que é complementado por um CD-ROM e software. No computador, é um show. Em especial a última edição.

Que é Astrobiologia?

Astrobiologia é o estudo da origem, da evolução, da distribuição e do futuro da vida no universo. É um campo essencialmente multidisciplinar que busca ambientes habitáveis, no Sistema Solar e fora dele, tentando identificar evidências da química prebiótica e da vida no planeta Marte e em outros planetas e corpos celestes mais próximos da Terra. Na realidade, o Sistema Solar tem sido um laboratório, bem como campo de pesquisas sobre a origem da vida e sobre a própria evolução da vida na Terra e de estudos sobre o potencial da evolução da vida primitiva na Terra.

Os programas da NASA na área de Astrobiologia concentram-se em três perguntas fundamentais: a) Como começou e como evoluiu a vida? b) Existiria vida fora da Terra e, se existir, como podemos detectá-la? c) Qual é o futuro da vida na Terra e no universo?

Gostaria muito de saber as respostas dessas perguntas.

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