Brasil vai ter centro para estudar ocorrência de vida fora da Terra

08 de setembro de 2010 | 0h 00

Por Alexandre Gonçalves, originalmente para  O Estado de S.Paulo

Um laboratório em Valinhos, a 90 quilômetros de São Paulo, investigará quais as chances de existir vida fora da Terra. O pós-doutorando Douglas Galante falou sobre o projeto no simpósio Frontiers of Science, realizado há uma semana em Itatiba, interior de São Paulo.

O encontro, que abordou temas tão diversos como neurociência e biocombustíveis, reuniu jovens cientistas da Inglaterra e do Brasil e marcou as comemorações pelo 350.º aniversário da Royal Society, a mais antiga academia de ciências do mundo.

Que perguntas a astrobiologia pretende responder?

A origem e a evolução da vida no universo, a existência da vida fora da Terra e o futuro da vida no nosso planeta. E como ela encontra respostas para essas perguntas? Para responder à questão sobre a origem da vida, por exemplo, você precisa descobrir primeiro como foi a origem dos elementos químicos, a formação dos elementos pré-bióticos, o surgimento das células primitivas e o início dos mecanismos genéticos. São questões complexas. Por isso, a ideia da astrobiologia é reunir cientistas de várias áreas para chegar às respostas.

Quais os esforços nesta área no País?

Estamos montando o Laboratório de Astrobiologia (AstroLab), em Valinhos, ligado ao Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP). Contaremos com o apoio de pesquisadores da UFRJ e do Instituto Oceanográfico da USP. Os equipamentos para o Laboratório de Microbiologia já chegaram. Em dois meses, deverá estar funcionando. A verba para construção das câmaras planetárias, que simularão as condições para a vida fora da Terra, já foi aprovada. A liberação e construção devem ocorrer nos próximos meses. É possível imaginar a vida sem carbono e água? Na ficção científica, você encontra menções a formas alternativas de vida, como a vida baseada em silício, uma substância capaz de formar polímeros parecidos com os do carbono. Mas o silício, apesar de ser o segundo elemento mais versátil, permanece muito aquém do carbono. Você não conseguiria formar a variedade de compostos que acompanham a vida na Terra. Já o solvente, acredito que existam alternativas para a água. Talvez um solvente orgânico misturado com sal seja um bom substituto. Encontraram, por exemplo, metano e etano líquidos em Titã, um satélite natural de Saturno.

Como vocês pretendem investigar a vida nos planetas fora do Sistema Solar, os exoplanetas?

Não será uma tarefa simples. Há cerca de 470 exoplanetas identificados até agora. Conhecemos suas massas e algo sobre suas órbitas. Mas não sabemos quase nada sobre suas propriedades físicas. Precisamos apontar nossos telescópios para os exoplanetas, captar sua luz, tirar um espectro dela e tentar descobrir assinaturas das moléculas que compõe sua atmosfera. Já conseguimos aplicar a técnica para gigantes gasosos, mas não para planetas rochosos como a Terra. Precisamos esperar a próxima geração de telescópios. Mesmo assim, será só o primeiro passo. Descobrir a presença de oxigênio em um exoplaneta não comprova a existência de formas de vida que realizam fotossíntese, por exemplo.

QUEM É DOUGLAS GALANTE

Pós-doutorando do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP É bacharel pelo Curso Experimental de Ciências Moleculares da USP. No doutorado, estudou os feitos astrobiológicos dos raios gama.

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