Animação baseada em livro do poeta Paulo Leminski ‘estreia’ em DVD independente

 

Cena da animação 'Belowars', de Paulo Munhoz, inspirada em obra infanto-juvenil de Paulo Leminski / Reprodução

RIO – Adaptação de “Guerra dentro da gente”, uma incursão do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989), autor de “Catatau”, pela literatura infanto-juvenil, o desenho animado “Belowars” passou quase dois anos à espera de uma vaga no circuito. Para o padrão da animação nacional em longa-metragem, o filme, egresso do Paraná e orçado em R$ 250 mil (dos quais R$ 180 mil vieram de um edital para telefilmes), é dos mais ousados na forma, dispensando diálogos para propor uma reflexão amarga sobre a intolerância. Cansado de mofar na fila dos sem-tela, considerado “autoral demais” pelo mercado exibidor, a produção, exibida uma única vez no Rio, no Anima Mundi de 2008, encontrou um outro canal de escoamento: vai “estrear” nas locadoras, no formato DVD.

A direção é de Paulo Munhoz, de 48 anos, um dos realizadores mais prolíficos da animação nacional, conhecido pela produção de tintas ecológicas “Brichos”, de 2006, adotado como filme-referência em aulas de educação ambiental.

– Um nicho de escoamento para a animação autoral não existe ainda no Brasil. Creio que algo assim será construído ao longo do tempo. Mas o que mais pesou contra “Belowars” foi o baixo orçamento. Cada vez que me perguntavam sobre o orçamento e eu respondia “R$ 250 mil”, muita gente nem quis ver o filme – diz Paulo Munhoz. – Pensei em lançá-lo em salas primeiro, mas fiz as contas e vi que ficaria no prejuízo sem ter as condições necessárias para promovê-lo. Assim, decidi lançar o DVD de forma independente, fazendo parcerias para a logística de distribuição. Dessa forma eu controlo o processo e posso ter retorno financeiro.

“Belowars” narra a peleja de um garotinho chamado Baita para dominar a arte da guerra, espelhado em um mestre sanguinário, o General Kutala. O sonho de se tornar um guerreiro, pouco a pouco, destrói tudo aquilo que Baita cultiva em seu aprendizado.

– Ao tecer a trajetória do herói mítico, o livro fala da luta interior, que é a guerra que vale a pena – diz Munhoz.

No filme, o diretor presta um tributo às diferentes facetas criativas de Leminski, além da poesia.

– Paulo Leminski é um ícone brasileiro e uma espécie de super-herói curitibano. Escrevia bem, falava bem, compunha bem, tocava bem, lutava bem (era faixa preta de judô), enfim, só faltava voar. Li seu livro rápido e vi que dava filme, mas para rodá-lo foram necessários dez anos colocando-o em editais, aprovando-o em leis, tentando captar recursos etc. Quando estava quase desistindo, eu o viabilizei com um edital para telefilme do governo do estado do Paraná – diz o diretor.

Sua prioridade agora é concluir a produção de um novo longa, “A floresta é nossa”, para lançar em setembro de 2011.

– Quero levar “A floresta é nossa”, que retoma os personagens de “Brichos”, ao Anima Mundi e ao Festival do Rio do ano que vem. O trabalho está correndo.

Fonte: O Globo – Cultura

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