Brasil se junta à Carta Internacional ‘Space and Major Disasters’

Organização internacional disponibiliza dados de satélite para resgatar autoridades durante catástrofes; Inpe irá fornecer dados captados pelos satélites do Programa CBERS.

Stephen Briggs, da ESA, Luc Brûlé, da CSA, e Gilberto Câmara, do Inpe, firmam acordo.

Stephen Briggs, da ESA, Luc Brûlé, da CSA, e Gilberto Câmara, do Inpe, firmam acordo.

No ano em que graves inundações e deslizamentos de terra provocaram mais de 800 mortes no Rio de Janeiro, o Brasil se junta à organização espacial internacional que faz com que dados de satélite fiquem disponíveis em tempo hábil de resgatar autoridades durante catástrofes pelo mundo. Nesta última terça, 8, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) se tornou, formalmente, membro da Carta Internacional ‘Space and Major Disasters’.

Fundada pela Agência Espacial Europeia (ESA) e as agências espaciais francesa e canadense, a Carta é uma colaboração internacional entre agências e operadoras de missões de observação da Terra que tem como objetivo fornecer acesso rápido aos dados de satélite de modo a ajudar autoridades em caso de tragédia natural ou provocado pelo homem.
Por meio da Carta, dados de satélite tem sido usados para criar mapas e ações de resgate durante desastres grandes como o terremoto no Haiti, em janeiro de 2010, o terremoto na Nova Zelândia, em fevereiro de 2011, e o terremoto e o tsunami no Japão, em março de 2011.
“O Brasil já se beneficiou do apoio dos membros da Carta em janeiro de 2011, quando uma grande enchente matou mais de 800 pessoas e deixou milhares de desabrigados no Estado do Rio de Janeiro”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.
Como membro mais novo da Carta, o Inpe irá fornecer dados do Programa CBERS, (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), ferramenta criada após parceria entre Brasil e China que oferece informações de observação da Terra.
Desde 1999, já existiram três satélites CBERS; o quarto da série está previsto para lançamento no final de 2012.
As imagens dos satélites brasileiros já foram usadas para monitorar o desmatamento e o controle do fogo na região amazônica, além de acompanhar os recursos hídricos, o crescimento urbano e a agricultura do País.
“Ao aderir à Carta, o Inpe estará melhor preparado para ajudar a sociedade brasileira e internacional em caso de grandes catástrofes”, disse Câmara.
O Inpe é agora o 13 º membro da Carta. Outros novos membros incluem o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e o Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia do Sul (KARI). A Eumetsat, órgão que gere a rede europeia de satélites meteorológicos, e a Agência Espacial da Rússia (Roscosmos) também fizeram pedidos para participar da organização.

 

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