A antimatéria age de acordo com a lei da gravidade?

Fonte: Galeria do Meteorito

  Medir a ação da gravidade na antimatéria é um sonho dos cientistas há mais de 50 anos, ao ponto de este tema dominar inúmeros colóquios e reuniões internacionais.

    
   
Estará a antimatéria, o oposto da matéria que conhecemos, submetida à lei da gravidade clássica ou a uma forma desconhecida de antigravidade? Cientistas asseguram, em estudo publicado esta quarta-feira na revista britânica Nature, que em breve conseguirão responder esta pergunta que os intriga há tempos.

         Na pesquisa realizada por uma equipe de físicos do Laboratório de Berkeley e colegas da equipe Alpha do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), os cientistas advertem que ainda não é possível responder a esta pergunta sobre o movimento da antimatéria.

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         Mas a importância do estudo publicado na Nature é que ele apresenta a primeira evidência direta de como os átomos de antimatéria interagem com a gravidade.

         “No caso improvável de que a antimatéria caísse para cima, devemos revisar nossa concepção da Física e repensar a forma como o Universo funciona”, afirmou Joel Fajans, do Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia.
         A antimatéria é constituída de antipartículas, formadas por uma carga elétrica oposta à da matéria clássica.

         Matéria e antimatéria teriam sido criadas em quantidades iguais depois do Big Bang, mas por um motivo desconhecido, o Universo privilegiou a matéria e só restam quantidades ínfimas de antimatéria, principalmente perto dos buracos negros e dos raios cósmicos.
         Medir a ação da gravidade na antimatéria é um sonho dos cientistas há mais de 50 anos, ao ponto de este tema dominar inúmeros colóquios e reuniões internacionais.

         Segundo observações indiretas, supõe-se que a gravidade se aplique da mesma forma à matéria e à antimatéria em “queda livre”.
         Para ter certeza, é necessário medir diretamente os átomos da antimatéria, porém, a antimatéria se destrói ao menor contato com a matéria e por este motivo é particularmente difícil estudá-la.

         Em 1995, o CERN, cuja sede fica em Genebra, conseguiu produzir seus primeiros átomos de anti-hidrogênio, que se destruíram quase instantaneamente.

         Desde então, a equipe ALPHA do CERN fez enormes avanços: em 2011, átomos de anti-hidrogênio foram isolados durante mais de 16 minutos em uma “armadilha magnética”, abrindo a via para a observação de suas propriedades.
         Logo, a equipe ALPHA decidiu utilizar os dados coletados em 434 átomos de anti-hidrogênio que tinham prendido para tentar medir a influência da gravidade sobre eles.

         Para fazê-lo, compararam a relação entre a “massa de inércia” (a resistência à aceleração) do átomo de anti-hidrogênio, equivalente à de um átomo de hidrogênio comum, e sua “massa gravitacional” (que se aplica à força de gravidade registrada em um corpo) desconhecida.
         Mas os primeiros resultados não permitiram responder ao questionamento sobre o movimento da antimatéria, nem comprovar se ela se move em sentido inverso à matéria comum.

         Em sua última experiência, a Alpha começou criando átomos de anti-hidrogênio unindo um antipróton (um próton com carga negativa) a um antielétron (um elétron com carga positiva), e realizou diferentes experimentos, que tiveram resultados que deixaram os cientistas otimistas.

         “A antigravidade existe? Baseados em experimentos realizados até o momento, não podemos dizer sim ou não”, afirmou Fajans. “No entanto, não foi dita a última palavra”, destacou o cientista, sugerindo que há luz no final do túnel em relação a esta questão intrigante.

         O experimento da Alpha vai se prolongar no projeto Alpha-2, e será possível realizar provas de precisão no período de um a cinco anos, antecipou o estudo da Nature.

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